Freguesia de Vacariça - Mealhada
  
                               
A Vacariça é uma povoação muito antiga, com mais de 1000 anos de existência. Dados históricos indicam que já no ano 450 D.C. era habitada pelos eremitas de Santo Agostinho. Também sob o comando de Lucêncio, enviado por S. Bento, edificaram o mosteiro de S. Vicente, tendo como orago S. Vicente. A primeira referência ao nome de Vacariça é de 1002 numa doação registada no Livro Preto da Sé de Coimbra, daí se considerar que a sede de freguesia tem mais de mil anos.
O mosteiro exerceu grande influência desde o Mondego até ao Douro, até 1092, data em que passou para a posse do Bispo de Coimbra, juntamente com todos os seus bens.
Atualmente não se encontram vestígios do mesmo, no entanto indícios apontam para que se situasse numa casa contígua à igreja de S. Vicente e que se encontra registada na Torre do Tombo.
A Vacariça foi sede de Concelho com foral de 12 de Setembro de 1514, dado pelo rei D. Manuel I até 1837, data em que foi extinto e criado o Concelho de Mealhada, continuando no entanto a Mealhada a fazer parte integrante da Freguesia de Vacariça até 1944, data em que a Mealhada é elevada a Freguesia e desanexada da Vacariça.


A nobreza dos tempos gloriosos da Freguesia de Vacariça perpetua-se todos os dias na nobreza dos sentimentos da sua população.
Dados históricos indicam que já em 450 esta zona era habitada pelos eremitas de Santo Agostinho, no entanto julga-se que terá sido Lucencio, enviado do Mont: e Cassino por S. Bento que em 541edificou o opulento Mosteiro Bubulense com a designação de S. Vicente, em homenagem a este Santo – Mártir, por ter sido um grande pregador e um defensor das leis de Cristo, que tornou esta terra das mais famosas entre o Vouga e o Mondego.
O convento da Vacariça, foi um dos poucos mosteiros da antiguidade onde viviam frades e freiras em repartições separadas mas, celebrando o ofício divino na igreja, segundo vem mencionado em documentos do chamado “Livro Preto” da Sé de Coimbra.
Foi dos mais ricos da Lusitânia, sendo senhor de 37 vilas e lugares, e, vasta jurisdição sobre outras igrejas e mosteiro da época, abrangia um território muito vasto, desde Espinho, Matosinhos, Maia, Gondomar a, passando por Sever do Vouga a S. Pedro do Sul até Mortágua e Soure, e por muitas outras “vilas” e propriedades com os consideráveis bens fundiários e móveis. Na opinião de alguns historiadores, o Mosteiro da Vacariça, à semelhança do Mosteiro de Lorvão, foi um dos grandes responsáveis pelo forte incremento do repovoamento e consequente defesa dos territórios conquistados aos “grandes inimigos da Fé Cristã”, os muçulmanos.
A primeira referência histórica de lugares da Freguesia de Vacariça é, segundo alguns historiadores, Santa Cristina. No ano de 907 é doada “ a igreja de Santa Cristina, junto aos muros de Coimbra”, ao abade João do Mosteiro de Lorvão, pelo presbítero Fradilani, e confirmada ao mesmo mosteiro pelo rei Ramiro II, no ano de 933.
Vacariça foi sede de concelho. Ignora-se no entanto a data de sua criação.
Em 1328, por sentença do Rei D, Afonso IV a propósito do transporte de presos e dinheiro, já existe referencia ao concelho de Vacariça e, noutro documento do Arquivo Municipal de Coimbra com o nº 9 datado de 1364, dá a existência do concelho de Vacariça, formado pelos antigos coutos da Vacariça, Casal Comba e Aguim.
Em 12 de Setembro de 1514 D. Manuel I deu-lhe foral. Nas diversas povoações relacionadas no foral, aparece pela primeira vez o nome de Pego de Pexes, lugar este que corresponde actualmente ao Pego.
Vacariça dotada de valiosos pergaminhos históricos, exerceu domínio administrativo sobre a Mealhada, afirmando a sua supremacia até 6 de Novembro de 1836, data da criação do concelho da Mealhada, no reinado de D. Maria II. No entanto, a Vacariça seria ainda concelho até 4 de Junho de 1837, altura em que integrou o “novo concelho da Mealhada”:
Esta mudança administrativa criou um pormenor inédito que marcou esta freguesia durante 108 anos; Mealhada, sede de concelho, pertencia à freguesia de Vacariça. Os motivos que explicam este facto são, certamente, os mesmos que se apontem relativamente à parte a criação do concelho da Mealhada, “a influência do antigo couto, do célebre mosteiro e da carta foral”, Vacariça foi assim quem predominou como povoado de destaque.
O muito que se poderia saber a Vacariça e o seu concelho, perdeu-se com o tempo e o que restava foi devorado pelo incêndio de 9 de Novembro de 1880, o qual reduziu a cinzas todo o edifício da Câmara Municipal de Mealhada, com o seu arquivo e demais documentos administrativos.
Todos os documentos sobre história desta terra, tinham sido transferidos para a Mealhada, a quando da mudança do concelho em 1837.
Em 1838, já a Câmara da Mealhada, não querendo que fosse perpetuado algum dos símbolos do seu antecedente, depressa tratou da venda dos edifícios que haviam servido de Câmara e de cadeia do extinto concelho de Vacariça, não existindo hoje qualquer vestígio dos mesmos.
A Vacariça teve escola de latim, de teologia e de outras disciplinas até ao século XIX.
 
TOPÓNIMO
A Freguesia de Vacariça é de entre as Freguesias do Concelho de Mealhada a que mais se pode orgulhar dos seus ancestrais pergaminhos. Outrora apelidada de “… graciosa, histórica e lendário recanto da Bairrada…
Antiga povoação Lusitana, cujo nome deriva de “Vacariça” pela criação de gado bovino a que se dedicavam seus habitantes, ou, de “Vaca – Rica” pela boa reputação que o gado tinha, favorecido pelos bons pastos existentes na sua várzea.
Sua fama, poder e importância remontam à `poça da fundação do Mosteiro Bubulense. Fundado por Paulo Osório, no século V, segundo algumas opiniões, e, pelo patriarca S. Bento, no século VI, segundo outros. Parecendo a segunda hipótese a mais aceitável, porque pertencendo a criação do mosteiro aos monges beneditinos, não poderia ser edificado antes da criação desta ordem na Europa.
 
FORAL
Nas diversas povoações relacionadas no foral, aparece pela primeira vez o nome de Pego de Pexes, lugar este que corresponde actualmente ao Pego.
De acordo com a História, D. Manuel, Rei de Portugal e dos Algarves, atribuiu o foral a Vacariça e Mealhada em 5 de Outubro de 1516, um domingo, e mandou o escrivão da alfândega da vila de Aveiro convocar a «gente do burgo, senhoriais, plebeus e arraia-miúda» e ainda as personalidades da região.
O referido escrivão, com todo o séquito atrás, em cortejo e com a pompa da época, dirigiu-se ao largo principal do povoado (Vacariça), onde o povo já estava à espera. Do alto do seu púlpito, aquela entidade (escrivão), ao som de trompetas, mandou um arauto ler o documento que dava autonomia às entidades do território, ao mesmo tempo que eram avisados que, a partir daquele momento, «deviam lealdade ao Rei de Portugal». Para autenticar a validade daquela atribuição (foral) a Vacariça e Mealhada, foram chamados o procurador do reino, o juiz Fernando Vaz e os vereadores Fernando e Pedro Anes, e ainda o escrivão do bispo de Coimbra e o mordomo do bispo de Aveiro. Como testemunhas do acto, foram chamados «dois moradores de Mogofores».
Tudo “nos conformes”, o escrivão de Aveiro informou que o documento ia ser assinado por Fernando Vaz, «juiz deste termo», pelos dois vereadores, Fernando e Pedro Anes, «de cruz por não saberem ler nem escrever», e pelo procurador do bispo, esse sim, «sabe escrever», que também lacrou o documento.
«Assim fica lavrado o foral. Viva o Rei D. Manuel», gritou o escrivão, logo seguido na saudação pelo povo, que parecia estar a viver o momento de há 490 anos.
Foral abolido em 1832
Depois de formalizado o acto, entremeado com “palhaçadas” dos arautos, o escrivão de Aveiro, para celebrar o acontecimento, virou-se para o povo e disse: «Agora, moças e moçoilas, vinde bailar». E assim foi, ao som de tambores, cornetas e gaitas de foles, as moças (e só moças), foram para a roda feita pelo povo e dançaram alegremente.
Seguiu-se uma luta de espada entre dois soldados e o escrivão tirou da cartola «uma prenda especial do bispo de Aveiro». E que prenda!
«A dançarina Petra vai dançar para vós!». Uma esbelta e esguia jovem, com vestes de seda, decote generoso, sandálias e barriga à mostra, ao som dos tambores e flautas, dançou de forma sensual, quase erótica… a dança do ventre!
De olhos arregalados, o povo (ou melhor, os homens), durante cerca de cinco minutos, não tirou os olhos da bela Petra que, como uma enguia, ia fazendo movimentos com o corpo, realçando as formas sensuais da sua silhueta.
A festa não terminaria sem a alegria do bobo da corte, «o saltarino do reino de Portugal», que chegou de cavalo virtual (ele próprio mimou o equídeo) e executou alguns malabarismos que fizeram sorrir os fidalgos e rir à gargalhada a arraia-miúda, os plebeus.
Com o final da recriação histórica deste acontecimento, chegou-se ao século XXI, à realidade dos nossos dias, e a oportunidade de se saber mais sobre o foral da Vacariça e Mealhada, que foi abolido em 1832.
 
VACARIÇA RELIGIOSA
Outros lugares foram surgindo na história e no aproveitamento dos bons pastos da região. Em meados do século XII, num inventário dos bens da Sé de Coimbra, surge uma outra referências, agora a “Travatiolo villam, in terminio Vaccarize”, (lP – doc. 634), alusão clara ao lugar de Travasso.
Curioso também e significativo é, sem duvida, a estadia do bispo de Coimbra D. Raimundo em 13 de Outubro de 1320, onde na Vacariça, localidade cabeça do couto com mesmo nome, proclamou na sua Diocese o culto a Nossa Senhora da Conceição.
Depois da extinção do mosteiro, a igreja da Vacariça foi couto dos bispos de Coimbra por ordem do rei D. Pedro I ao bispo D. Pedro Gomes em 11 de Dezembro de 1363.
Segundo vários documentos da época, os Bispos de Coimbra tinham, no couto de Vacariça, o poder de impedir que, alguém cobrasse ou prendesse quem não cumprisse as justiças régias. Tudo isto significava o poder dos bispos no couto da Vacariça sobre o reino.
Em 22 de Abril de 1557 o bispo Conde D. João Soares, autorizado pelo Papa Paulo IV doou ao colégio de N. Senhora da Graça em Coimbra, da Ordem dos Eremitas de S. Agostinho, as terras pertença da Igreja da Vacariça, das suas filiais de Luso e Pampilhosa e os respectivos bens, como reconhecimento de ter recebido desta ordem a sua educação religiosa.
A Vacariça continuou a ser matriz das freguesias de Luso e Pampilhosa do Botão, até 1834, ano que foram extintas as ordens religiosas.
Em 1834, pela abolição dos dízimos e extinção das casas religiosas, desligaram-se aquelas três igrejas e a boa vivenda, casa e quinta, que construíam os bens da igreja, foram incorporadas nos bens nacionais e vendidos em hasta pública em 11 de Fevereiro de 1844 por “dois contos oitocentos e um mil reis” e comprados por Manuel Ferreira Azevedo da Mealhada.
Religiosamente, a Mealhada continuou a pertencer à Vacariça até 3 de Março de 1968, altura em que foi criada a respectiva paróquia.
A igreja paroquial da Vacariça cuja construção deve ser posterior a 1280, transição do mosteiro, foi totalmente reformulada entre os séculos XVII e XVIII e desta centúria são os aspectos melhor definidos, cujo peça da maior significado é o púlpito, da primeira metade de Setecentos, bastante decorada com folhas de acanto e uma águia na bacia de pedra. Das talhas refira-se o ambiente de riqueza que transpira do revestimento do corpo da igreja, repartido com quarenta caixotões setecentista com molduras decoradas e os claros pintados com cenas da vida de Cristo e de Nossa Senhora, mas de cunho artesanal, bem como os retábulos. Das imagens vai a referência para S. Vicente, em pedra dos meados do século XVI, a Virgem do Rosário com o Menino, em madeira do século XVIII e uma Cruz da Fábrica, relíquia antiquíssima em baixo relevo de prata, que é sem dúvida, a mais rica destes sítios.
“…Diz-se que, quando das invasões francesas todas as pratas das igrejas foram recolhidas, entre elas as da Vacariça e consequentemente a Cruz de Fábrica. Mais tarde, quando requisitada por Coimbra, verificou-se o seu desaparecimento.
Efectuadas buscas e prisões não foi possível encontrá-las e, só mais tarde, quando os franceses abandonaram o território é que a Cruz foi restituídas à igreja por um habitante da Quinta do Vale da família Mendes, que declarou ter fugido com ela para a livrar da posse do inimigo.
Alguém lhe trocou o crucifico, pois reconhece-se que o actual não lhe pertencia, por a Cruz apresentar indícios que o primitivo era de ouro…”
No caminho do Buçaco, olhando como «monte sagrado», foram surgindo, na devoção popular, os mais curiosos cruzeiros. Alguns, com tempo e a fé, evoluíram para capelas.
É o caso da Capela do Cruzeiro no centro de Vacariça, octogonal, muito ao gosto da região bairradina, com capela-mor rectangular.
No Cabido da Sé de Coimbra, capelas, caixa 22, documento 1, eiste uma planta de construção referente a esta capela com a data de 23 de Junho de 1741. Foi levantada em cumprimento de uma promessa feita por José Barreto, aquando da sua ida para o Brasil.
O retábulo pertence à segunda metade desta centúria, no qual se enquadram as imagens de Cristo Crucificado, a Virgem e S. João.
 
VACARIÇA POLÍTICA
Vacariça foi sede de concelho. Ignora-se a data da sua criação, mas é de calcular que seja antiquíssima.
Em 1328, por sentença do rei D. Afonso IV a propósito do transporte de presos e dinheiro, já existe referência ao concelho de Vacariça e, noutro documento do Arquivo Municipal de Coimbra com o n.º 9 datado de 1364, dá a existência do conselho da Vacariça, formado pelos antigos coutos da Vacariça, Casal Comba e Aguim.
Em 12 de Setembro de 1514 D. Manuel I deu-lhe foral. Nas diversas povoações relacionadas no foral, aparece pela primeira vez o nome Pego e Pexes, lugar este que corresponde actualmente ao Pego.
Vacariça dotada de valiosos pergaminhos históricos, exerceu domínio administrativo sobre a Mealhada, afirmando a sua supremacia até 6 de Novembro de 1836, data da criação do concelho da Mealhada, no reinado de D. Maria II. No entanto, a Vacariça seria ainda concelho até 4 de Junho de 1837, altura em que integrou o “novo concelho da Mealhada”.
Esta mudança administrativa criou um pormenor algo inédito que esta freguesia durante 108 anos; Mealhada sede de conselho pertencia à freguesia da Vacariça. Os motivos que explicam este facto são, certamente, os mesmos que se apontam relativamente à tardia criação do concelho da Mealhada «a influencia do antigo couto, do célebre mosteiro e da carta foral», Vacariça foi assim que predominou como povoado de destaque.
O muito que se poderia saber sobre a Vacariça e o seu concelho, perdeu-se com o tempo e o que restava foi devorado pelo incêndio de 9 de Novembro de 1880, o qual reduziu a cinzas todo o edifício da Câmara Municipal de Mealhada, com o seu arquivo e demais documentos administrativos.
Todos os documentos sobre a historia desta terra, tinham sido transferidos para a Mealhada, aquando da mudança do concelho em 1837.
Em 1838, já a Câmara da Mealhada, não querendo que fosse perpetuado algum dos símbolos do seu antecedente, depressa tratou da venda dos edifícios que haviam servido de Câmara e de cadeia do extinto concelho de Vacariça, não existindo hoje qualquer vestígio dos mesmos.
Mealhada só suplantou a Vacariça pela melhor localização que deu outro progresso urbano e por ter sido mais bafejada pela sorte. Depois de vários protestos e de abaixo assinados, o decreto-lei n.º 33.730 do então Diário do Governo, com data de 24 de Junho de 1944, criou a freguesia de Mealhada com poderes administrativos.
ORIGENS
A Freguesia de Vacariça é, sem dúvida, de entre as Freguesias do Concelho de Mealhada aquele que mais se pode orgulhar dos seus ancestrais pergaminhos. Foi outrora apelidada de “…graciosa histórico e lendário recanto da Bairrada…”. Vacariça foi uma antiga povoação Lusitana que deriva, segundo se crê, de «Vacariça» pelos seus habitantes se terem dado à criação de gado vacum, favorecidos pelos bons pastos da sua várzea, ou de «Vaca – rica» pela boa reputação que as suas vacas tinham no mercado.
A sua fama, poder e importância remontam à época em que aqui foi fundado o Mosteiro Bubulense. O mosteiro, segundo uns havia sido fundado por Paulo Osório, no século V e, segundo outros, pelo patriarca S. Bento, no século seguinte. Esta última hipótese parece a mais aceitável, porque pertencendo a criação do mosteiro aos monges beneditinos não podia ser edificado antes da criação desta ordem na Europa.
Segundo dados históricos, já os eremitas de Santo Agostinho habitaram em 450 esta zona, mais julga-se que, Lucencio, enviado do Monte Cassino por S. Bento, depois de fundar o convento de Lorvão em 537, onde foi o primeiro abade, edificou em 541 na Vacariça opulento Mosteiro Bubulense, com a designação de S. Vicente, em homenagem a este Santo – Mártir por ter sido um grande pregador e um defensor das leis de Cristo, que tornou esta terra das mais famosas entre o Vouga e o Mondego.
O convento da Vacariça, foi um dos poucos mosteiros da antiguidade onde viviam frades e freiras em repartições separadas mas, celebrando o ofício divino na mesma igreja, segundo vem mencionando em documentos do chamado “Livro Preto” da Sé de Coimbra.
Foi dos mais ricos da Lusitânia, sendo senhor de trinta e sete vilas e lugares e vasta jurisdição sobre outras igrejas e mosteiros da época, abrangia um território muito vasto desde Espinho, Matosinhos, Maia, Gondomar a, passando por Sever do Vouga a S. Pedro do Sul até Mortágua e Soure, e por muitas outras “villas” e propriedades com os consideráveis bens fundiários e móveis.
Na opinião de alguns historiadores, o Mosteiro da Vacariça à semelhança do Mosteiro de Lorvão, foi um dos grandes responsáveis pelo forte incremento do repovoamento e consequente defesa dos territórios conquistados aos “grandes inimigos da Fé Cristã”, os muçulmanos.
A primeira referência histórica de lugares da Freguesia de Vacariça, é, segundo alguns historiadores, Santa Cristina. No ano de 907é doada “ a igreja de Santa Cristina, junto aos muros de Coimbra”; ao abade João do mosteiro de Lorvão, pelo presbítero Fradilani, e confirmada ao mesmo mosteiro pelo rei Ramiro II de Leão, ao ano de 933.
Se identificamos o nome da capela a uma “vila rústica” desse mesmo nome, o lugar de Santa Cristina aparece assim como o primeiro povoado desta Freguesia a ser documentado.
Apesar de se conhecer a existência de um mosteiro que se pressupões construído em 541, e de nos anos 972 e 974 (L.P doc. 104 e 113) se fazer referencia ao rio Vacariça “Vimeneirola et Barriolo ripa ribulo Vakariza subtus mons Buzaco”, para localização de oito moinhos de água entre os lugares de Vimieira e de Barrô, o Vacariça só aparece documento pela primeira vez ligado ao mosteiro, num testamento datado de 30 de Novembro de 1002, (L.P, Doc.126), em que o diácono Sandino doa ao Mosteiro de Vacariça o mosteiro de Rocas (Sever do Vouga) e respectivo bens, que ele valorizara com o seu irmão Godesteo, e ainda a “villa” de Penso (S. Pedro do Sul). “Domnis invictissimis ac triuphatoribus gloriosis sanctisque martiribus Snactique Salvatoris et Sancti Vicentil, sanctorum apostolrum Petri et Pauli quórum baselice cernuntur in loco predicto VACCARIZA…”
Não se conhece outros documentos mais antigos em que o nome de Vacariça esteja ligado ao Mosteiro Bubulense.
O nome Vacariça volta aparecer noutro testamento de 18 de Maio de 1006 (L.P – doc.72) em que Froila Gonçalves doa ao Mosteiro de Vacariça um quinto da Vila Nova de Monsarros (Anadia), revertendo a parte restante, após a sua morte para o mesmo mosteiro.
Após um período de algum declínio, o Mosteiro, sob a orientação do famoso Abade Tudeído, vai assistir a gloriosos dias de abundância e prosperidade. Granjeou tal protecção que viria a afirma-se no panorama politico, social e económico das terras do sul do reino do Leão.
Entre 1002 e 1101existem mais de 61 registros com referência ao Mosteiro da Vacariça (L.P). De entre os vários bens doados destacam-se, os mosteiros de Rocas e Sever do Vouga, Anta (Espinho), Vermoin (Maia), Trezoi (Mortágua), Louredo (Mealhada) e o mais importante, com maior poderio e maior quantidade de bens na época, o mosteiro de Leça.
O mosteiro da Vacariça, atingiu o seu ponto alto no ano em que é reconquistada a cidade de Coimbra, 1064. A provar este enorme poderio territorial surge a “Noticia dos bens pertencentes ao Mosteiro da Vacariça entre os rios Vouga e Mondego”, (Livro Preto doc. Nº 73 ano 1064), efectuado pelos frades onde se verifica todo o poderio do Mosteiro.
Não se conhece o destino deste mosteiro, mas a historia da época diz-nos que (…Até 1064 esteve toda esta região no poder dos agarenos, n’ este anno D. Fernando Magno, Rei de Leão e Castella, veio fazer-lhes guerra e conquistou-lh’a. …)
Nesse mesmo ano, pela sua morte, D. Afonso VI herdou o reino de Leão, de quem estas terras faziam parte. (… Empreendeu no século XI uma guerra sem tréguas contra os mouros na península hispânica, para cujo êxito solicitou o auxilio de vários cavaleiros cristãos empenhados na empresa Santa.
De França vieram bastantes cruzados, entre elles o conde D. Henrique e o conde D. Raymundo, primos, e que vieram a ser cunhados. Dos mais valentes foram, pelo que el-rei lhes fez grandes mercês, dando-lhes suas duas filhas em casamento. A D. Raymundo coube de D. Urraca, e o governo de Coimbra, antes cremos, de fazer senhor da Galiza D. Henrique esposando D. Theresa, foi presenteado com a posse do condado portucalense, a cuja área pertencia Coimbra, e conservou ao parente o alto cargo que o sogro lhe havia conferido.
Este foi o mal do mosteiro da Vacariça. O governador e sua mulher, D. Raimundo e D. Urraca, intimamente afectas ao bispo de Coimbra, D. Crescónio, doaram-lhe, com todas as terras e privilégios, garantindo-lhes a doação em documentos legal feito em 30 de Novembro de 1094, (L.P. doc. 82) com declaração de que este mosteiro erat sub Regali, temporalique Potestate Traditum…) Esta doação foi confirmada pelo Santo Padre Pascoal II em 1101, (LP doc. 592).
(… Comprehende-se bem a dolorosa impressão que os religiosos soffreram. Habituados à independência e à relativa liberdade, podendo applicar a seu bel-prazer os seus rendimentos, viam-se de repente subordinados e coactos em todos os sentidos, e humilhados perante erres mesmos que tiveram por senhores e amos.
Cinco annos viveram essa amaríssima existência, que só sabe quanto custa obedecer a quem por hábito sempre foi obedezide.
Em 1099 ababdonaram a opulenta habitação, onde luxo era quasi uma ironia, porque os parcos recursos lhe mantinha o bispo nem para o refeitório magro lhe chegavam. …)
Não se encontra outras referencias sobre o Mosteiro Bubulense, nem nunca se encontraram vestígios desse primitivo Mosteiro, aventando-se a hipótese de ter sido destruído quando foi abandonado, ou destruído aquando das invasões da península ou na reconquista aos mouros pelos novos reis cristãos destas terras.
Existe a hipótese, entre muitas outras, de que a actual Igreja Paroquial (orago São Vicente), ter sido edificada nesse local para continuidade dos actos religiosos praticados no Mosteiro.
A imensa nuvem que ainda paira sobre tudo aquilo que diz respeito ao poderoso Mosteiro da Vacariça e ao lugar exacto da sua edificação, é, sem duvida, um intrigante e aliciante motivo que despertou em muitos historiadores e interessados no assunto, mas irá incentivar as gerações actuais e vindouras, na nossa vontade de descobrir e de desvendar os segredos destes lugares e das suas gentes.


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